Ler Resumo
A chuva voltou a ganhar força sobre o Rio Grande do Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou grande parte do Estado sob alerta vermelho para acumulados de chuva forte, prevendo volumes acima de 100 milímetros em 24 horas e, em alguns pontos, superiores a 150 milímetros até quinta-feira. Além da intensidade das águas, há risco de temporais com granizo e rajadas de vento. O cenário é ainda mais preocupante, porque encontra rios cheios e um solo completamente encharcado pelas precipitações registradas ao longo do mês.
O estado e a natureza não teve tempo de se recuperar, das sucessivas chuvas que caíram este mês. Foram seis frentes frias, que trouxeram chuvas que permaneceram estacionadas por dias na região (veja a cronologia abaixo). Em ano de El Ninõ, fenômeno que aquece a superfície das águas do Oceano Pacífico, as frentes frias que chegam ao Sul do país não conseguem se deslocar. Ficam presas na região até perder a intensidade. Durante este mês, os estragos provocados pelas águas já fizeram 207 municípios com registros de danos, mais de 1.200 pessoas desabrigadas; centenas de desalojados em diversos municípios, principalmente nas regiões dos vales e da Fronteira Oeste. Há muitas regiões alagadas ainda.
Normalmente uma enchente começa a perder força quando a chuva cessa e os rios conseguem escoar. Desta vez isso não aconteceu. As frentes frias chegam ao estado sucessivamente, sem tregua, para que a natureza tenha tempo de se recuperar. É a sequência que dá um caráter ainda mais extremo para os eventos.
Cronologia da crise
15 e 16 de julho Uma forte frente fria marca o início de um período de chuva persistente no Estado. Em poucos dias, diversas cidades acumulam o equivalente a duas vezes a média histórica de precipitação para todo o mês.
19 de julho Os primeiros grandes estragos aparecem. Vendavais, queda de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia atingem dezenas de municípios.
22 e 23 de julho Com o solo saturado, os rios Taquari, Caí, Jacuí e Uruguai transbordam. O número de municípios afetados sobe rapidamente, ultrapassando 190, enquanto mais de mil pessoas deixam suas casas.
24 a 26 de julho Mesmo com diminuição temporária da chuva, a água continua subindo em diversas bacias. A Defesa Civil mantém sucessivos alertas hidrológicos para inundação e elevação dos rios.
27 de julho Novos alertas vermelhos são emitidos para inundação do Rio dos Sinos e do Rio Uruguai. Tempestades com granizo voltam a atingir municípios do interior.
28 de julho Uma nova frente fria chega ao Estado. O Inmet emite alerta vermelho para chuva intensa, agravando o risco porque rios seguem elevados e o terreno permanece completamente encharcado.
