
A reação de Katy Perry insere-se em uma longa lista de artistas que já contestaram o uso de suas músicas em ações ligadas a Donald Trump (Foto: Reprodução redes sociais)
A publicação de um vídeo da Casa Branca utilizando o sucesso “Firework”, de Katy Perry, como trilha sonora para imagens de ataques militares contra alvos iranianos desencadeou uma nova controvérsia envolvendo a administração do presidente Donald Trump e artistas da indústria musical. O episódio começou na sexta-feira (24), com a postagem, no TikTok, de cenas mostrando aviões de combate, lançamentos de mísseis e explosões durante operações militares no Irã.
As imagens foram sincronizadas com os versos mais conhecidos da composição, especialmente o trecho “boom, boom, boom”, enquanto a legenda dizia: “Iran has been warned” (“O Irã foi avisado”). Em poucas horas, a publicação ultrapassou milhões de visualizações e passou a circular amplamente em outras plataformas digitais.
A resposta da artista veio no dia seguinte, por meio de uma publicação na rede social X. Em tom contundente, ela afirmou estar “profundamente chocada e indignada” ao ver sua música associada a bombardeios. A cantora classificou o uso da canção como uma “violação completa” do significado da obra e afirmou que jamais autorizou sua utilização em um contexto de guerra.
Perry explicou que compôs a música como “um hino de esperança, cura e força interior para pessoas que atravessam seus momentos mais difíceis”. Segundo ela, transformar essa mensagem em trilha sonora para cenas de destruição representa “uma completa violação de tudo o que a música simboliza”.
Utilização de obras musicais e direito autoral
Nos últimos anos, nomes como Bruce Springsteen, Beyoncé, Foo Fighters, Radiohead, Céline Dion, Ariana Grande, Olivia Rodrigo, Kesha e Sabrina Carpenter também manifestaram publicamente oposição à utilização de suas obras em campanhas eleitorais, eventos políticos ou conteúdos oficiais associados ao presidente americano.
Embora, em muitos casos, o uso das músicas possa estar amparado por licenças concedidas às plataformas digitais ou aos organizadores de eventos, especialistas observam que a controvérsia costuma extrapolar o aspecto jurídico.
A principal discussão passa a ser a associação da imagem do artista a causas ou posicionamentos políticos com os quais ele não concorda. Mais do que um embate sobre direitos autorais, o episódio revela uma disputa em torno da narrativa construída por uma obra artística.
Um símbolo de empoderamento
Lançada em 2010, “Firework” tornou-se um dos maiores sucessos da carreira de Katy Perry e consolidou-se como um dos principais hinos pop da última década. Inspirada na ideia de autoestima e superação, a música alcançou o topo das paradas internacionais e passou a ser utilizada em campanhas de conscientização, eventos beneficentes e ações voltadas à valorização da diversidade e da saúde mental.
O videoclipe, premiado no MTV Video Music Awards, retrata pessoas enfrentando situações de preconceito, violência doméstica, insegurança corporal e doenças graves, reforçando a mensagem de que cada indivíduo possui uma força interior capaz de transformar sua realidade. Para a artista, justamente por carregar esse simbolismo, a associação da canção a imagens de ataques militares altera completamente sua essência.
