Publicado 24/07/2026 11:42 | Editado 24/07/2026 13:09

A Federação das Associações de Favelas do Estado de São Paulo (Facesp) e a Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam) solicitaram ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) que instaure uma investigação civil e criminal para apurar a responsabilidade dos gestores públicos e privados pela precarização do serviço e pelo risco iminente à vida dos passageiros.
A informação consta em nota de repúdio ao governador Tarcísio de Freitas e à concessionária Trivia Trens pelo grave colapso no sistema de transporte ferroviário ocorrido nesta quinta-feira (23).
Segundo o comunicado, “o incidente, provocado por um curto-circuito seguido de incêndio em um vagão nas proximidades da estação Brás, expôs centenas de usuários a situações extremas de pânico, confinamento e fumaça, além de interromper o fornecimento elétrico de quatro linhas simultaneamente”.
Além disso, destaca que “a política de desestatização promovida pela atual gestão estadual transfere bens públicos estratégicos, como a rede metroferroviária, rodovias e o saneamento básico para a iniciativa privada, priorizando o lucro empresarial em detrimento da segurança e da dignidade dos usuários”.
O incêndio ocorreu pouco mais de 48 horas de a concessionária Trivia Trens (do Grupo Comporte) assumir a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade dos trens que circulam na capital paulista e na Grande São Paulo.
A explosão que deu origem ao fogo aconteceu entre as estações Brás e Tatuapé, da Linha 12-Safira, ainda na madrugada, às 5h25. Apesar da gravidade da situação — já que pessoas ficaram trancadas no vagão com o fogo e a fumaça começando a tomar conta — não houve feridos.
Leia a íntegra a seguir.
Nota de repúdio: Facesp e Conam denunciam colapso no sistema ferroviário sob gestão privada em São Paulo
A Federação das Associações de Favelas do Estado de São Paulo (Facesp) e a Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam) vêm a público manifestar total repúdio ao Governador Tarcísio de Freitas e à concessionária Trivia Trens pelo grave colapso no sistema de transporte ferroviário ocorrido nesta quinta-feira (23).
A paralisação total e parcial das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Expresso Aeroporto interrompeu a mobilidade da Zona Leste, a região mais populosa da capital. O incidente, provocado por um curto-circuito seguido de incêndio em um vagão nas proximidades da estação Brás, expôs centenas de usuários a situações extremas de pânico, confinamento e fumaça, além de interromper o fornecimento elétrico de quatro linhas simultaneamente.
Este cenário confirma os alertas emitidos pelos movimentos sociais e técnicos do setor desde o leilão de concessão, realizado em março de 2025. A Trivia Trens assumiu a operação definitiva em 21 de julho, após um período de transição assistida de 60 dias junto à CPTM. Em apenas três dias de operação autônoma, a concessionária demonstrou severa incapacidade operacional, acumulando atrasos, superlotação e falhas de segurança que culminaram no sinistro desta madrugada.
A política de desestatização promovida pela atual gestão estadual transfere bens públicos estratégicos, como a rede metroferroviária, rodovias e o saneamento básico para a iniciativa privada, priorizando o lucro empresarial em detrimento da segurança e da dignidade dos usuários.
Expressamos nossa profunda solidariedade aos milhares de trabalhadores paulistas que foram submetidos a condições degradantes, sendo forçados a caminhar quilômetros sobre os trilhos e a pular muros para evacuar o sistema, resultando em prejuízos financeiros e profissionais generalizados.Diante da gravidade dos fatos, a Facesp e a Conam exigem o pronunciamento oficial imediato do Governador Tarcísio de Freitas e do Secretário de Transportes Metropolitanos, Marco Assalve.
Solicitamos formalmente que o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaure uma investigação civil e criminal para apurar a responsabilidade dos gestores públicos e privados pela precarização do serviço e pelo risco iminente à vida dos passageiros.Reiteramos que os índices de insatisfação popular com as linhas concedidas crescem de forma alarmante, registrando picos de até 600% de aumento nas queixas formais (comparativo entre os primeiros semestres de 2025 e 2026 na Linha 7-Rubi), o que comprova a falência do modelo de privatização adotado.
São Paulo, 23 de julho de 2026.
Nota Conjunta: Direções Executivas Facesp / Conam
