CIDADE (BA) — A praia de São Tomé de Paripe está no centro de uma grave crise ambiental que chamou a atenção das autoridades e da população local. Desde fevereiro, manchas azuis e amarelas têm sido observadas na faixa de areia e nas águas, resultando em investigações que revelaram contaminação por substâncias químicas. O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) aplicou multas significativas às empresas que operam na área, incluindo a Empresa Terminal Itapuã Ltda (Intermarítima) e a Gerdau Aços Longos S.A., totalizando R$ 70 milhões. Essa situação não apenas afeta o ecossistema local, mas também ameaça a subsistência de ambulantes e pescadores da região.

Contaminação e Multas Aplicadas

A contaminação na praia de São Tomé de Paripe foi confirmada após análises realizadas pelo Inema, que detectaram concentrações elevadas de compostos nitrogenados e metais pesados, como o cobre, em diversos pontos da localidade. O relatório do Inema, publicado em maio, aponta que a contaminação está relacionada à movimentação e estocagem de granéis sólidos pelo Terminal Itapuã, atualmente gerido pela Intermarítima. Embora a empresa negue envolvimento, o órgão ambiental aplicou a multa de R$ 20 milhões a ela e R$ 50 milhões à Gerdau, antiga gestora do terminal.

As razões por trás das multas, conforme explica o Inema, envolvem a responsabilidade da empresa na contaminação do local. As multas foram publicamente divulgadas apenas em junho, após as empresas serem formalmente notificadas. Ambas as instituições terão 20 dias para apresentar suas defesas administrativas.

Impactos na Saúde Pública

A análise dos materiais coletados revelou a presença de nitratos, nitritos e nitrogênio amoniacal, substâncias associadas a sérios riscos para a saúde. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) indicam que a exposição a essas substâncias pode causar reações adversas, incluindo problemas dermatológicos e gastrointestinais. A prefeitura de Salvador está recebendo relatos de casos suspeitos de intoxicação, que estão sob monitoramento.

Os impactos da contaminação não se limitam à saúde da população; a situação gerou um estado de emergência ambiental, decretado pela Prefeitura de Salvador no início de junho. Este decreto permite a mobilização de todos os órgãos municipais para auxiliar a população e recuperar as áreas afetadas, além de abrir portas para que recursos federais sejam solicitados para a recuperação da região.

Consequências Econômicas

A contaminação também trouxe sérios prejuízos econômicos para os moradores de São Tomé de Paripe. Pescadores e ambulantes, que dependem da praia para sua subsistência, agora enfrentam dificuldades financeiras, sendo forçados a buscar fontes alternativas de renda. Em entrevistas, representantes da Associação de Pescadores e Marisqueiras do Subúrbio relataram que muitos têm se voltado para a reciclagem de materiais como papelão e latas como forma de sobrevivência, evidenciando a crise gerada pela poluição.

A arrecadação de impostos e os serviços de turismo na região, que até então eram uma fonte vital de receitas, também estão comprometidos. A perda da qualidade ambiental da praia acarreta uma diminuição no fluxo de visitantes, afetando diretamente a vulnerabilidade econômica das comunidades locais.

Perspectivas e Ações de Remediação

A situação atual demandará ações rápidas e eficazes de remediação ambiental. Além das multas, ambas as empresas estão obrigadas a implementar medidas de recuperação imediatas para mitigar os impactos da contaminação. Especialistas alertam que isso não apenas é vital para a restauração do meio ambiente, mas também para a saúde e segurança dos moradores da região.

A pressão sobre o Inema e a Prefeitura de Salvador aumentou, uma vez que a população exige respostas e ações concretas para restaurar a segurança ambiental da área. A falta de uma resposta robusta poderia resultar em ainda mais descontentamento e mobilizações por parte da população local, que se sente ameaçada pela inércia das autoridades.

Reações das Empresas Envolvidas

Procurada pela reportagem, a Gerdau confirmou o recebimento do auto de infração e afirmou que apresentará uma defesa administrativa embasada em documentação pertinente e laudos técnicos. A empresa enfatizou que desde 2022 não tem mais licença ambiental para operar no terminal, o que, segundo ela, a isenta de responsabilidade pela contaminação atual.

A Intermarítima, por sua vez, apesar de também receber a multa, não se manifestou oficialmente até o fechamento desta reportagem. Essa falta de comunicação por parte das empresas tem gerado desconfiança na população e demandas por esclarecimentos.

Próximos Passos

As autoridades têm um grande desafio pela frente para lidar com a crise gerada pela contaminação na praia de São Tomé de Paripe. O primeiro passo será o acompanhamento das defesas administrativas apresentadas pelas empresas, enquanto implementam as ações de remediação necessárias. A mobilização da Prefeitura de Salvador em conjunto com o Inema será crucial para garantir a segurança da população e a recuperação ambiental da área.

A expectativa é que o estado de emergência leve à disponibilidade de recursos federais, fundamentais para a execução de obras que serão essenciais para restaurar não apenas o meio ambiente, mas também a confiança da comunidade nas instituições que deveriam proteger seus direitos e a saúde pública. O futuro da praia e dos que dela dependem permanece incerto, mas a pressão por ação continua a crescer.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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