A Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear) confirmou, nesta quinta-feira (11), o vazamento de material radiológico na sede do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), localizada na USP (Universidade de São Paulo).O incidente aconteceu no último dia 29 de maio.

Segundo a autarquia federal, foi detectado traços de partículas radioativas de tecnécio-99 durante a retirada de ‘sensores biológicos’ em manuseio de produção de insumos para radioterapia.

O vazamento foi alertado pelo Sindsef-SP (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo) e a Associação dos Servidores.

De acordo com a Cnen, foram confirmados pelo menos dois ‘Indivíduos Ocupacionalmente Exposto’.

“O incidente envolveu dois trabalhadores, os quais foram submetidos a exames. As contagens detectadas foram baixas e demonstraram que não houve contaminação interna. A contaminação ficou restrita à área controlada, do Centro de Radiofarmácia do Instituto“, explica o órgão.

Ainda durante o posicionamento, a Cnen alega que foi aberto um ‘Relatório de Ocorrência Interna’ para solicitar atuação da ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) que informou estar investigando o caso: “A ANSN adota procedimento regular de verificação técnica, solicitando à instalação os registros e informações necessários à adequada avaliação da situação reportada”.

Segundo nota divulgada pelas entidades de classe responsáveis pela divulgação do caso, informações preliminares indicam que a situação teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica, retenção de roupas utilizadas por trabalhadores, incluindo terceirizados, e atuação da equipe de Proteção Radiológica.

A Radiofarmácia do Ipen possui autorização de operação vigente e que foi expedida uma notificação técnica com prazo até 18 de junho para atendimento de exigências regulatórias, segundo ANSN.

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O órgão de fiscalização afirmou que esse tipo de procedimento faz parte das atividades regulares de supervisão técnica e destacou que eventuais medidas adicionais dependerão da análise dos documentos e informações apresentados pelo instituto.

Outro lado

O Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) se manifestou por meio de nota, confira na íntegra;

“No dia 29 de maio, durante a rotina de produção de Geradores de Molibdênio-99/Tecnécio-99m, a roupa de um técnico do Centro de Radiofarmácia foi contaminada. O incidente foi prontamente identificado pelos detectores da instalação e o operador realizou a limpeza e o isolamento imediato de sua vestimenta. Após esse procedimento, o piso próximo ao detector reteve um leve traço de contaminação que, na segunda-feira, dia 1 de junho, causou a contaminação do calçado de um segundo operador.

Ambos os profissionais foram submetidos ao exame de contagem de corpo inteiro, que avalia possíveis contaminações internas. O procedimento constatou que a contaminação limitou-se exclusivamente às roupas externas, garantindo que nenhum dos operadores sofresse qualquer consequência à saúde.

Por não haver sequelas ou riscos residuais, nenhum funcionário permanece sob observação. Os envolvidos passaram por retreinamento e o caso segue sob avaliação interna para o aprimoramento dos processos de controle e segurança. A ocorrência foi integralmente relatada à Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) por meio de um relatório técnico.

Contaminações pontuais em Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), embora rigidamente prevenidas, são ocorrências que podem eventualmente acontecer. Por essa razão, todo incidente direciona o profissional ao monitoramento de dose acumulada e ao exame de corpo inteiro.

É comum que os funcionários do Centro de Radiofarmácia mantenham doses acumuladas significativamente baixas aos limites permitidos pelas leis trabalhistas. Como medida extra de segurança preventiva, sempre que a dose de um trabalhador apresenta elevação, a sua função é trocada e a atividade executada é revisada para garantir a redução da exposição e a melhoria do processo produtivo.

Paralelamente à produção diária, o Centro de Radiofarmácia mantém uma equipe de pesquisa ativa com projetos promissores, como o Lu-177-PSMA-IT, em fase de testes clínicos, e estudos com moléculas marcadas com alfa-emissores, como o Ac-225.

O IPEN é um dos maiores fornecedores de radiofármacos para o Sistema Único de Saúde contribuindo decisivamente para o desenvolvimento do Brasil”

CNN Brasil também entrou em contato com a USP (Universidade de São Paulo), mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Incêndio no Ipen

Um incêndio aconteceu no complexo do reator nuclear do Ipen, em março deste ano. O caso foi investigado pela ANSN, que deslocou inspetores ao local para avaliar os danos e possíveis riscos.

Foi confirmado que o incêndio teve natureza localizada e atingiu um conjunto de racks da instalação. As chamas afetaram o cabeamento sob o piso e chegaram ao teto em um ponto específico da sala. Uma cadeira nas proximidades também foi atingida pelo fogo.

 

*Com informações de Robson Rodrigues

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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