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O comportamento do consumidor brasileiro dentro dos supermercados está passando por uma reconfiguração nítida e acelerada. Impulsionado por uma busca cada vez mais latente por saudabilidade e bem-estar, o perfil do carrinho de compras mudou, exigindo respostas rápidas da indústria e do varejo alimentar na hora de abastecer as gôndolas. Dados da NielsenIQ apresentados no estudo sobre as mudanças de comportamento do novo consumidor apontam que o crescimento em volume de diversas categorias acompanha diretamente essa busca por uma rotina mais equilibrada.

Volume em alta nos perecíveis e saudáveis

A análise detalhada do comportamento de compras mostra que as seções de perecíveis e saudáveis lideram o crescimento em volume no país. O segmento de frutas no setor de hortifrúti disparou 9,3% no indicador, seguido de perto por legumes, com alta de 8,0%, e verduras, avançando 1,2%.

Em busca de dietas mais ricas em nutrientes, o consumidor também elevou consideravelmente a compra de proteínas, com destaque para o crescimento de 14,4% de ovos, peixaria, avançando 11,1%, e frango, 3,8%. No segmento de lácteos, itens associados ao equilíbrio diário ganharam protagonismo, levando o queijo fatiado a crescer 15,7%, as sobremesas geladas a subirem 12,4% e o creme de ricota a avançar 8,5%.

Já na categoria de bebidas não alcoólicas, a busca por hidratação e energia impulsionou o volume de energéticos em 11,2%, de água mineral em 10,2% e de chá pronto em 4,7%.

O descolamento das versões zero açúcar

O impacto dessa mentalidade focada em saudabilidade fica ainda mais evidente quando ocorre a comparação do faturamento das versões tradicionais de bebidas frente às opções da linha zero, diet e light.

De acordo com o levantamento da NielsenIQ, há um descolamento avassalador de performance entre os produtos comerciais comuns e as alternativas sem açúcar. A cerveja regular registrou uma variação positiva de faturamento de apenas 1,2%, enquanto a sua versão zero ou light saltou 14,0%.

O cenário é ainda mais drástico na categoria de refrigerantes, na qual a opção regular encolheu 3,2% em faturamento e a versão zero disparou 33%. Os energéticos tradicionais também recuaram 1,9%, contrastando com a explosão de 62,5% no faturamento das opções zero.

Já os sucos regulares caíram 6,9%, enquanto as versões mais saudáveis subiram 2,5%. Acompanhando esse movimento de dietas restritivas e busca por nutrientes, o leite proteico consolidou uma alta de 9,1% em faturamento.

Impactos no gerenciamento por categorias

Esses dados revelam um cenário de transição de consumo que não pode ser ignorado pelo supermercadista de médio ou grande porte.

O shopper atual entra na loja buscando densidade nutricional, menor teor de açúcar e conveniência saudável. Para as redes varejistas, essa mudança exige uma revisão profunda no gerenciamento por categorias. O espaço em gôndola antes dominado massivamente por marcas e produtos tradicionais agora precisa abrir alas para o portfólio de rótulos limpos, linhas proteicas e bebidas zero.

Mais do que uma tendência passageira, a saudabilidade ditou o ritmo do faturamento e redesenhou o sortimento estratégico do varejo alimentar de forma definitiva.

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By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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