A busca por maior eficiência na produção de etanol passa por uma mudança de mentalidade dentro das usinas. Essa foi a principal mensagem apresentada por Andresa Zago Martins de Menezes, fundadora da Alpinus Consultoria e Treinamento, durante a sala temática Etanol 1G – Fermentação, Destilação e Levedura do SINATUB26.
Segundo a especialista, o cenário atual exige que as unidades produzam mais com menos recursos, combinando desempenho fermentativo, controle microbiológico e gestão econômica. Para ela, a diferença entre uma fermentação convencional e uma fermentação inteligente está na forma como as decisões são tomadas.
Enquanto os modelos tradicionais costumam reagir aos problemas depois que eles já impactaram o rendimento industrial, a fermentação inteligente trabalha de forma preventiva, utilizando dados para antecipar riscos e direcionar ações.
“A contaminação deixa de ser apenas um problema microbiológico e passa a ser também uma questão de gestão”, destacou.
Nesse contexto, Andresa defendeu o monitoramento contínuo do processo, com uso de ferramentas como microbiologia, cromatografia e análises metagenômicas. O objetivo é identificar sinais precoces da atividade bacteriana, compreender os metabólitos produzidos e agir antes que ocorram perdas de açúcar e rendimento alcoólico.
Outro ponto abordado foi a necessidade de interpretar corretamente os dados gerados pelo processo. Segundo ela, durante muitos anos o controle da fermentação esteve concentrado na contagem de bastonetes por mililitro, mas as exigências atuais demandam análises mais profundas para compreender a dinâmica microbiológica da fermentação.
Menos dependência do ácido sulfúrico
A palestrante também chamou atenção para o uso do ácido sulfúrico no tratamento do fermento. Embora reconheça sua importância histórica no setor, ela alertou para os impactos econômicos da dependência desse insumo, cujo preço está sujeito às oscilações do mercado internacional.
“Reduzir custos não significa negociar melhor o ácido, mas precisar menos dele”, afirmou.
Andresa explicou que o ácido possui limitações no controle microbiológico e que seu uso excessivo pode gerar estresse celular, desvio metabólico e queda de desempenho da levedura. Além disso, destacou a importância de compreender o efeito tampão da fermentação, fenômeno que pode elevar significativamente o consumo de ácido sem garantir maior eficiência no controle da contaminação.
Controle microbiológico direcionado
Como alternativa, a especialista apresentou estratégias baseadas no uso racional de antibacterianos e no conhecimento detalhado das bactérias presentes no processo.
Na conclusão da apresentação, ela resumiu o principal desafio da fermentação moderna: equilibrar desempenho, controle microbiológico e custos operacionais por meio de decisões baseadas em dados.
“O desafio não é apenas controlar a contaminação, mas decidir com inteligência até onde o ácido deve atuar e quando o controle microbiológico precisa assumir o protagonismo”, concluiu.
A íntegra da apresentação está disponível no canal oficial do JornalCana no Youtube.
