A iniciativa do Sport Club Corinthians Paulista de retirar permanentemente uma cadeira da Neo Química Arena como símbolo de combate ao racismo reacendeu discussões sobre responsabilidade social, diversidade e gestão de risco reputacional dentro das empresas. Para Ronny Martins, presidente do Instituto pela Diversidade e Inclusão no Setor de Seguros (IDIS), ações institucionais desse tipo vão além do posicionamento público e passam a influenciar diretamente a percepção de risco corporativo, inclusive no mercado de seguros.
Segundo o executivo, temas ligados à diversidade, inclusão e governança deixaram de ser tratados apenas como pautas institucionais e passaram a integrar a análise estratégica das organizações. “Empresas que não possuem políticas claras de prevenção à discriminação, canais efetivos de denúncia, programas de diversidade e uma cultura organizacional consistente estão mais expostas a riscos reputacionais, jurídicos, regulatórios e até operacionais”, afirma.
Na avaliação de Martins, o gesto promovido pelo Corinthians possui forte impacto simbólico justamente por reforçar que responsabilidade social e gestão de riscos caminham juntas. “A iniciativa do Corinthians na Neo Química Arena possui um simbolismo extremamente relevante porque reforça que ações concretas de conscientização e posicionamento institucional ajudam a transformar cultura organizacional e percepção social”, destaca.
O tema também vem ganhando espaço dentro do mercado de seguros. De acordo com Ronny Martins, fatores sociais, reputacionais e de governança já começam a influenciar processos de subscrição e análise de riscos corporativos, principalmente em empresas mais expostas à opinião pública.
“O conceito de risco deixou de ser exclusivamente patrimonial ou operacional e passou a incorporar variáveis relacionadas à reputação, imagem e responsabilidade social”, explica. Segundo ele, aspectos como governança corporativa, políticas de diversidade, estrutura de compliance e gestão de crises passaram a compor uma visão mais ampla do risco empresarial.
Além do impacto institucional, crises reputacionais causadas por episódios de racismo e discriminação também podem gerar consequências financeiras relevantes. “Atualmente, crises reputacionais possuem capacidade de gerar impactos financeiros significativos e muitas vezes imediatos. Episódios envolvendo racismo podem afetar receitas, valor de mercado, relações comerciais e confiança institucional”, afirma.
O executivo ressalta ainda que os efeitos podem ultrapassar o campo da imagem e alcançar ações judiciais, investigações regulatórias e até impactos sobre investidores e patrocinadores. “As empresas vêm percebendo que investir em prevenção, treinamento, compliance e cultura organizacional não representa apenas uma agenda social, mas também uma medida efetiva de proteção corporativa e continuidade dos negócios”, pontua.
Para Ronny Martins, iniciativas preventivas e políticas institucionais consistentes tendem a reduzir vulnerabilidades e fortalecer a credibilidade das organizações diante de consumidores, colaboradores e parceiros. “A gestão de risco reputacional começa muito antes de uma crise acontecer. Empresas que investem em conscientização, diversidade e governança constroem ambientes mais resilientes e preparados para os desafios contemporâneos”, conclui.
