A QatarEnergy, empresa estatal de energia do Qatar, anunciou nesta terça-feira (3) que interromperá a produção de produtos como alumínio, ureia, polímeros, metanol e outros produtos.
O anúncio ocorre um dia depois da empresa paralisar a produção de GNL (gás natural liquefeito), o que levou o preço do produto subir mais de 45% na segunda-feira (2).
A medida da QatarEnergy foi tomada devido ao agravamento dos confrontos entre EUA e Israel contra o Irã, que bombardeia bases militares norte-americanas e outros pontos no Qatar desde o último sábado (28).
A empresa relatou que duas instalações de processamento de gás foram atingidas supostamente por ataques iranianos.
“Em continuidade à decisão da QatarEnergy de interromper a produção de gás natural liquefeito (GNL) e produtos associados, a QatarEnergy está suspendendo a produção de alguns produtos downstream no Estado do Qatar, incluindo ureia, polímeros, metanol, alumínio e outros produtos”, informou a empresa em comunicado.
O país é responsável pelo fornecimento de 20% das negociações em todo o mundo. A maior parte do GNL qatariano vai para a Ásia, mas parte também segue para a Europa, que depende inteiramente de importações para suas necessidades de petróleo e gás.
Espera-se que a Europa corra para repor estoques, esgotados por um inverno rigoroso, e precisará depender ainda mais do gás americano, após rejeitar o gás russo depois da invasão da Ucrânia em 2022.
A Arábia Saudita suspendeu a produção em sua maior refinaria doméstica, enquanto Israel e o Curdistão iraquiano também interromperam parte de sua produção de gás e petróleo.
A Índia, um dos países mais dependentes de petróleo e gás do Oriente Médio, afirmou que começou a racionar o fornecimento de gás para indústrias após a interrupção da produção do Qatar.
Nesta terça-feira, a preocupação com o fornecimento de gás e petróleo aumentou com o anúncio do Irã de que irá interromper o tráfego no estreito de Hormuz, que já está com a movimentação diminuída desde sábado (28), quando os EUA e Israel atacaram o Irã, que respondeu em seguida.
As taxas de frete marítimo ao redor do mundo dispararam para um recorde histórico à medida que o conflito se intensificou e Teerã passou a atacar navios que atravessam o estreito.
O fechamento do Estreito de Ormuz fez com que centenas de navios-tanque carregados com petróleo e GNL ficassem encalhados perto de grandes polos, como o porto de Fujairah nos Emirados Árabes Unidos, sem conseguir alcançar clientes na Ásia, Europa e outros lugares.
ESCASSEZ DE NAVIOS-TANQUE FORÇARÁ CORTES NA PRODUÇÃO
Isso também significa que Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã precisarão começar a cortar a produção de petróleo em questão de dias, a menos que consigam encontrar novos navios-tanque para transportar o petróleo que continua sendo extraído do subsolo.
Especialistas ocidentais em segurança estão tentando avaliar quantos mísseis e drones o Irã ainda possui para manter a intensidade de seus ataques.
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Kuwait conseguiram até agora interceptar a maioria dos mísseis e drones que visavam instalações de energia, portos e aeroportos, mas crescem as preocupações sobre se seus estoques de sistemas antidrone e antimísseis estão se esgotando.
Com informações da Reuters e AFP
