
A ampliação do aterro sanitário de Manaus, na Zona Norte da capital, provocou reação de moradores do bairro Lago Azul, que denunciam impactos diretos à saúde e à qualidade de vida. Diante das reclamações, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas realizou vistoria técnica na área nesta sexta-feira (27) e anunciou a elaboração de um laudo preliminar para avaliar os danos e possíveis irregularidades.
A inspeção contou com a presença do defensor público-geral, Rafael Barbosa, e do defensor Carlos Almeida Filho, da Defensoria Especializada em Interesses Coletivos. Aproximadamente 50 residências fazem divisa com o terreno do aterro, ficando a poucos metros da nova etapa em construção.
Saúde e meio ambiente no centro do debate
Moradores relatam aumento de insetos, presença de animais peçonhentos, mau cheiro intenso e receio de contaminação da água utilizada no bairro. Sem rede de abastecimento tratada na maior parte da comunidade, muitas famílias dependem de poços artesianos e do Igarapé do Matrinxã, levantando suspeitas de possível comprometimento do lençol freático.
Durante a visita, engenheiros da DPE-AM registraram imagens aéreas e coletaram informações técnicas que irão embasar o relatório a ser apresentado em reunião prevista para os próximos 15 dias, com participação da Prefeitura de Manaus, do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas e do Ministério Público.

Segundo a Defensoria, grandes empreendimentos que impactam comunidades vizinhas devem garantir transparência e diálogo prévio com os moradores, algo que, segundo relatos colhidos no local, não teria ocorrido.
Pedido de embargo ou indenização
Entre as principais reivindicações da comunidade estão a suspensão da obra ou a realocação das famílias com indenização justa. Moradores afirmam que só souberam oficialmente da expansão do aterro meses após o início das intervenções, que começaram em julho de 2025.
A obra integra o processo de adequação do aterro localizado no km 19 da rodovia AM-010, em funcionamento desde 1986. O espaço, que inicialmente operava como lixão a céu aberto, passou por adaptações ao longo dos anos. Após decisões judiciais e termo de ajustamento de conduta firmado em 2024, a vida útil do aterro foi prorrogada até abril de 2028, com previsão de ampliação e adequações estruturais.
Próximos passos
A atuação da Defensoria deverá concentrar esforços na mediação entre comunidade e poder público, buscando soluções que conciliem a gestão de resíduos sólidos da capital com a proteção à saúde e à dignidade das famílias que vivem no entorno da área.
