JBS Terminais (Foto: Tanajura/Divulgação JBS)“Está provado que temos capacidade de retomar [uma operação] muito rápida, de ser um terminal com crescimento exponencial, de estar performando em 93% do nosso compromisso”. A avaliação é do CEO da JBS Terminais, Aristides Russi Junior, ao comentar sobre a retomada das operações do Porto de Itajaí para a Folha de S.Paulo.O porto, que ficou um ano e meio sem atividades depois da concessão para a APM, passa por uma longa disputa entre as concessionárias. A JBS Terminais, por exemplo, tem a concessão provisória há 14 meses e luta pelo arrendamento definitivo de 35 anos.Em entrevista para o Poder360, Junior afirmou que quer seguir com a operação no porto, . porém, dependerá de trazer informações em linha com o que a companhia espera. “Temos interesse, óbvio. Porque estamos aqui, queremos dar continuidade. Novamente, precisamos aguardar o que vem de informações do leilão para atender se é aderente à nossa estratégia”, acrescentou.De acordo com o executivo, o desafio foi no início ao tentar restabelecer a confiança do mercado. “O terminal parado, com contrato transitório de dois anos e o mercado preocupado. Nós provamos que somos capazes de responder a isso de uma forma muito rápida e eficiente”, pontuou.Para a Folha de S.Paulo, Junior destacou que foram investidos cerca de R$ 150 milhões para retomar a operação do porto. Recentemente, a MundoLogística noticiou que a companhia investiu aproximadamente R$ 220 milhões em modernização tecnológica e infraestrutura de ponta.Em comunicado na época, a empresa informou que o aporte financeiro viabilizou a aquisição de dois guindastes móveis, os MHC Konecranes Gottwald ESP.9, que possuem capacidade para 125 toneladas e alcance de até 20 fileiras de contêineres.Ao longo de 2025, o terminal recebeu 384 embarcações, com atuação nos segmentos de Full Conteiner LC e Full Conteiner CB. Com isso, a JBS Terminais movimentou quase 390 mil TEUs em 2025 no Porto de Itajaí durante o primeiro ano completo de operação.Desde que assumiu a gestão da área, em outubro de 2024, a JBS Terminais superou a marca de 430 mil TEUs movimentados. A meta contratual estipula uma movimentação de 44 mil TEUs por mês. Já a movimentação atual, segundo a empresa, está em cerca de 41 mil — mais de 93% da meta estabelecida.DESAFIOS NO PORTO DE ITAJAÍMesmo com esse cenário positivo, a JBS Terminais enfrenta alguns problemas no Porto de Itajaí. De acordo com a publicação da Folha de S. Paulo, um dos principais é o calado do canal do porto, que tem média de 13 metros. Dessa forma, é impossível receber navios de maior porte, que necessitam de mais de 16 metros de profundidade.Além disso, segundo Junior, as rodovias BR-101 e BR-470 estão “à beira do colapso”. “A 101 está estrangulada há bastante tempo. A gente tem dialogado bastante [com o governo catarinense], tentando encontrar soluções. Nos preocupa a acessibilidade porque você não tem uma acessibilidade rodoviária adequada, o que impacta a performance do terminal”, destacou o CEO.DISPUTA PELO TECON 10Além disso, o executivo também comentou sobre a disputa pelo Tecon Santos 10 (STS10). Sobre o assunto, Junior destacou que os concorrentes da JBS Terminais estão na outra margem do rio Itajaí-Açu, onde está localizada a Portonave na cidade vizinha de Navegantes. No entanto, o executivo afirmou que o assunto não está definido, pois depende dos termos do edital ainda não publicado.Recentemente, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) encaminhou à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a modelagem final do STS10. Os documentos permitem a publicação do edital que viabiliza o maior empreendimento portuário da história do país.Na visão do secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, o processo foi conduzido com a máxima celeridade, sem abrir mão do rigor técnico que um projeto dessa magnitude exige. “Ao encaminhar a modelagem final para a Antaq antes do prazo estipulado, sinalizamos ao mercado que o cronograma é prioridade. Estamos entregando um projeto robusto, validado pelo TCU e pronto para atrair grandes investimentos”, disse.O MPor acolheu integralmente as recomendações e determinações do Tribunal de Contas da União (TCU) com as diretrizes para evitar concentração de mercado na primeira fase da disputa e o estabelecimento de um valor de outorga mínima de R$ 500 milhões.
JBS Terminais (Foto: Tanajura/Divulgação JBS)