• Estudo da UFMG identificou 363 espécies nativas da Mata Atlântica com potencial para recuperar áreas degradadas por rejeitos da mineração na bacia do Rio Doce.
  • Pesquisadores analisaram solos contaminados em Minas Gerais e Espírito Santo, destacando a embaúba como árvore eficaz na recomposição florestal.
  • A pesquisa visa fortalecer iniciativas de restauração ecológica de longo prazo após o desastre de 2015, que lançou rejeitos no meio ambiente.

Pesquisas conduzidas por cientistas de Minas Gerais apontam que espécies nativas da Mata Atlântica podem ser decisivas na recuperação de áreas atingidas pelos rejeitos de minério despejados na bacia do Rio Doce após o rompimento da barragem de Fundão, em 2015.

O estudo foi realizado ao longo de cinco anos por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais. As equipes coletaram plantas e amostras de solo em 30 pontos distribuídos por dez municípios mineiros, além de áreas no Espírito Santo. O levantamento comparou regiões preservadas com terrenos cobertos pela lama de rejeitos, permitindo identificar como as espécies reagem a solos contaminados.

As análises revelaram que esses solos ainda apresentam altas concentrações de ferro e manganês, além de baixo teor de matéria orgânica, fatores que dificultam o desenvolvimento da vegetação. Mesmo assim, o diagnóstico trouxe um dado considerado promissor: 363 espécies nativas demonstraram capacidade de adaptação e potencial para restaurar as matas ciliares da região.

Entre elas, a embaúba se destacou como uma das árvores mais eficazes no processo de recomposição florestal. Além de sobreviver em áreas degradadas, a espécie contribui para a recuperação do ecossistema ao atrair polinizadores e dispersores de sementes, melhorar as condições do solo e criar sombra, favorecendo o crescimento de outras plantas ao redor.

Segundo os pesquisadores, esse conjunto de funções ajuda a acelerar o retorno da biodiversidade em um dos rios mais importantes do país. A estratégia também fortalece iniciativas de restauração ecológica de longo prazo, baseadas no uso de espécies nativas adaptadas às condições extremas deixadas pelo desastre.

Em novembro de 2015, o rompimento da barragem da Samarco lançou mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente, destruiu comunidades, contaminou cursos d’água, atingiu o litoral capixaba e causou 19 mortes. A mineradora afirma empregar atualmente mais de 200 espécies nativas nos programas de reparação ambiental e mantém parcerias com universidades federais, como a UFMG e a UFV.

Enquanto a ciência aponta caminhos para a regeneração da floresta, moradores da região do Rio Doce também buscam participar da reconstrução ambiental do território.


By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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