Em um ano marcado por instabilidade econômica, retração de investimentos e insegurança no ambiente de negócios, uma mudança estrutural se consolidou na indústria de São Bernardo ao longo de 2025. Práticas ligadas ao ESG (Ambiental, Social e Governança) deixaram de ser apenas diretrizes recomendadas e integraram como classificações de permanência no mercado, com impacto direto sobre contratos, acesso a seguros, participação em cadeias produtivas e a capacidade de manter a rentabilidade.
Essa avaliação integra o balanço apresentado pelo Ciesp Regional São Bernardo, em que, reconduzido ao cargo para novo mandato até 2029, o diretor titular Mauro Miaguti diz diz em entrevista ao RDtv que empresas sem ações estruturadas nessa área já enfrentam dificuldades concretas para seguir competitivas. “Hoje não é mais uma escolha. Grandes empresas selecionam fornecedores com base em ESG e quem acompanha não fica para trás”, diz.

Ao longo de 2025, o tema ESG assumiu papel central nas ações do Ciesp São Bernardo, com foco especial nas pequenas e médias empresas. Miaguti comenta que ainda persiste a percepção de que sustentabilidade e governança são pautas restritas a grandes corporações, cenário que já não reflete a realidade do mercado. “Existe uma empresa que não conseguiu renovar o seguro porque não tinha um plano de ESG. Isso impacta diretamente o faturamento”, diz o executivo.
A estratégia da entidade, explicada pelo diretor, passou pela apresentação de exemplos práticos adotados por grandes setores e pela demonstração de como essas ações se adaptam a estruturas menores. Eventos promovidos pelo Ciesp ao longo do ano reforçam essa abordagem, com a apresentação de cases relacionados à redução de impacto ambiental, governança interna e responsabilidade social. “O exemplo puxa quem ainda não tinha se atentado para isso”, comenta.
Apreensão e desânimo empresarial
Mesmo com os avanços institucionais, o cenário econômico de 2025 impôs dificuldades à indústria regional. Miaguti avalia o ano como uma das mais solicitações recentes, sobretudo no segundo semestre. “Nunca vi um empresário tão desanimado como agora”, diz.
A combinação de fatores como instabilidade política, resultou no comércio internacional, aumento da concorrência de produtos chineses e incertezas relacionadas a tarifas e reformas relacionadas diretamente à confiança dos empresários. Segundo Miaguti, há relatos de empresas que promovem redução entre 20% e 30% do quadro de funcionários após queda repentina nos pedidos. “Não foi só o tarifário. Existe uma insegurança geral que faz o empresário tirar o pé do investimento”, comenta o diretor do Ciesp São Bernardo. A proximidade de um ano eleitoral, acrescenta, amplia ainda mais a cautela nas decisões estratégicas.
Atuação regional
Dentro do contexto, o Ciesp São Bernardo reforça o papel de mediação entre empresas, poder público e fornecedores. Miaguti destaca que o primeiro ano do mandato teve foco na reorganização interna da entidade, com fortalecimento do conselho e maior participação dos associados, enquanto os anos seguintes ampliaram a atuação externa.
“Uma associação só funciona com participação. Hoje o conselho atua de forma ativa e deliberativa no dia a dia”, afirma Mauro Miaguti. A entidade também intensificou o diálogo com a prefeitura para resolver demandas ligadas à infraestrutura, logística e funcionamento das empresas, além de atuar em situações como as falhas não fornecidas de energia elétrica por parte da Enel, ocorridas em dezembro de 2025.
Tributação, juros e dificuldades
Outro ponto recorrente no balanço do ano envolve a complexidade do sistema tributário e o impacto dos juros elevados. Miaguti avalia que o Simples Nacional já não atende como deveria as pequenas empresas. “O Simples deixou de ser simples. Medidas como a prorrogação de prazos de recolhimento de impostos apresentam mais eficácia do que linhas de crédito com juros elevados. Às vezes, 30 dias a mais para pagar imposto resolvem o capital de giro”, diz.
