O New York Times e o Washington Post souberam, antecipadamente, dos ataques planejados pelos Estados Unidos contra a Venezuela, mas decidiram não publicar a reportagem para evitar o que — segundo o governo dos EUA — seria um risco à vida de americanos. A decisão dos dois jornais veio à tona a partir de uma reportagem da plataforma digital de notícias Semafor e evidencia a cooperação entre governo e mídia quando se trata de questões relacionadas à segurança nacional.
As revelações se baseiam em declarações de duas pessoas familiarizadas com a comunicação entre a Casa Branca e organizações de notícias.
Mesmo assim, no sábado (3), o The New York Times publicou editorial em que criticou a escalada militar americana na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro.
No texto, o periódico reconhece o autoritarismo e a repressão que caracterizaram o regime de Maduro, mas ressalta que o ataque “representa uma abordagem perigosa e ilegal para o lugar dos EUA no mundo”.
Já o Washington Post foi na direção oposta, classificando — também em editorial — a intervenção como “uma grande vitória para os interesses americanos”.
Marco Rubio agradeceu publicamente à imprensa
No domingo (4), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, agradeceu publicamente à imprensa por manter silêncio sobre a operação secreta até que as forças americanas estivessem em segurança fora da Venezuela. Rubio elogiou os veículos de comunicação que optaram pela discrição em vez de furos de reportagem durante uma operação militar de alto risco.
“Isso teria colocado as pessoas que levaram isso [a operação] adiante em grande perigo. E, francamente, vários veículos de comunicação receberam informações vazadas sobre isso e adiaram a divulgação justamente por esse motivo, e agradecemos a eles por terem feito isso, ou vidas poderiam ter sido perdidas. Vidas americanas”, disse o secretário de Estado ao apresentador George Stephanopoulos, do programa “This Week”, da rede ABC.
