A Venezuela já se encontra em uma situação tão calamitosa que é difícil imaginar que uma eventual invasão dos Estados Unidos possa torná-la um desastre maior. A avaliação foi feita por Alberto Pfeifer, coordenador do DSI-USP e pesquisador do Insper Agro, durante sua participação no WW Especial.
Segundo Pfeifer, o país sul-americano já demonstra sinais claros de colapso, com cerca de 7 a 8 milhões de seus 30 milhões de habitantes tendo deixado o território nacional. “Ela já é um desastre. Pensar que ela vai se tornar um desastre maior é forçar uma debacle que talvez seja difícil de acontecer porque a situação já é ruim”, afirmou.
Estratégia americana para a Venezuela
O pesquisador explicou que as ações dos Estados Unidos em relação à Venezuela estão alinhadas com os objetivos listados no documento de estratégia de Segurança Nacional Americana, divulgado recentemente. A estratégia visa, principalmente, negar o acesso de adversários como China, Rússia, Irã e Turquia aos recursos naturais venezuelanos, especialmente o petróleo, além de impedir que esses países utilizem o território venezuelano como base estratégica na região.
“Trump faz um ato que você chama de mercantilista, mas é um ato realista, pragmático, um ato que se coaduna com essa estratégia anunciada: as Américas para os países das Américas, a começar pelos Estados Unidos da América”, destacou Pfeifer, referindo-se à política externa americana para a região.
O especialista também apontou que a estratégia americana não busca uma ruptura total com as estruturas de governança existentes na Venezuela. Diferentemente do que ocorreu em países como Iraque e Afeganistão, onde houve uma tentativa de substituição completa do regime, no caso venezuelano, a abordagem seria mais cautelosa, mantendo partes da estrutura estatal sob pressão.
Pfeifer ressaltou ainda que a Venezuela possui uma tradição democrática e é um país ocidental, o que facilitaria uma eventual “restauração de uma democracia mais próxima do modelo aberto”, em contraste com o modelo que ele classificou como “deturpado, autoritário e autocrático” imposto pelo bolivarianismo. Segundo o pesquisador, este processo de reestabelecimento da institucionalidade democrática seria gradual, conforme anunciado pelo senador americano Marco Rubio.
