Políticos cearenses reagiram à operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela neste sábado (3). Ainda na madrugada, diferentes pontos da capital venezuelana, Caracas, foram bombardeados, e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama Cilia Flores foram detidos e levados para Nova York.
Parte das lideranças seguiu o discurso adotado pelo presidente Lula (PT), que chamou o ataque de “afronta gravíssima à soberania” e pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que chamou o episódio de “precedente extremamente perigoso”.
Outros políticos cearenses, no entanto, comemoraram a notícia, reforçando que Nicolás Maduro era um “ditador” e criticando quem se posicionou de forma contrária à ação do governo de Donald Trump.
Prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT) pontuou que a ação militar dos EUA é um “ataque à soberania da Venezuela” e que ameaça “a paz e os esforços para a estabilidade política nos países da América Latina”.
“A interferência estrangeira no território abre um precedente de grave risco para a região e precisa de resposta imediata da comunidade internacional, por meio das Nações Unidas”, ressaltou.
Presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Romeu Aldigueri (PSB) criticou Nicolás Maduro, a quem chamou de “ditador”, e Donald Trump, chamado de “autoritário”.
“Ambos não pensam no povo venezuelano, ao qual destino minhas preocupações e minha solidariedade. Preocupo-me também com a América Latina, que também é vítima nesse caso. Nada garante que Trump vai parar por aí. Da mesma forma que invadiu um país pelo petróleo, pode invadir outro pelas riquezas amazônicas. Não temos o que comemorar”, disse.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Léo Couto (PSB) disse considerar o ataque dos Estados Unidos “uma grave violação do Direito Internacional e da soberania venezuelana”. “É fundamental que a ONU atue com urgência para promover o diálogo e assegurar a estabilidade política na América Latina”, disse.
Bancada federal e estadual
Deputados federais e estaduais do Ceará também se manifestaram sobre o tema.
Líder do Governo Lula na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT) chamou a ação do governo dos Estados Unidos de “criminosa”. “Nós temos muitos motivos para criticar Maduro, mas nada justifica uma ação criminosa como essa de Trump. Um espetáculo deplorável”, disse.
A deputada federal Luizianne Lins (PT) também criticou o ataque sofrido pela Venezuela. “Donald Trump segue promovendo a guerra e massacrando civis pelo mundo. Nossa solidariedade ao povo venezuelano, vítima de uma agressão injustificada”.
O deputado federal André Fernandes (PL), no entanto, criticou quem está contra a operação militar dos EUA. “Quando o Maduro estava atropelando o próprio povo com tanques de guerra os esquerdistas que estão reclamando agora não acharam ruim. Tem hipocrisia até pra defender o ditador de estimação”.
Na Alece, os parlamentares também tiveram posicionamentos divididos. Líder do Governo Elmano no legislativo estadual, Guilherme Sampaio (PT) criticou o ataque do governo Trump.
“O interesse americano no petróleo do país ataca seu povo, sua soberania e ressuscita o fantasma da intervenção militar externa, ameaçando toda a América Latina”, disse.
O deputado estadual Salmito Filho (PSB) fez críticas tanto a Trump como a Maduro. “Maduro é um ditador que nega o Estado de Direito. Trump bombardeou a Venezuela e prendeu Maduro em uma ação que nega todo o Direito Internacional e se assemelha à lei do mais forte ou à barbárie. Contra a Ditadura e à Barbárie”, afirmou.
Já o deputado estadual Carmelo Neto (PL) compartilhou uma foto de Maduro, a quem chamou de “ditador”, preso pelos Estados Unidos.
“Não tenha pena dele – esse tirano prendeu, torturou, perseguiu e matou opositores, roubou eleições e destruiu a Venezuela. Finalmente, a justiça chegou”, ressaltou.
Entenda o ataque dos Estados Unidos à Venezuela
Os Estados Unidos informaram neste sábado (3) a realização de um ataque contra a Venezuela. Na ocasião, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para os EUA.
O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump por meio de uma rede social e ocorre em meio a uma relação marcada por tensões constantes entre os dois países.
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Desde 2013, temas como eleições contestadas, sanções econômicas, embargo ao petróleo, acusações de envolvimento com o narcotráfico e crise migratória vêm colocando Washington e Caracas em lados opostos.
Esse histórico de disputas se intensificou ao longo da última década e culminou, segundo Trump, em um “ataque em larga escala” conduzido pelos Estados Unidos.
O ataque deixou 40 mortos, informou o jornal norte-americano The New York Times. Segundo o NYT, a informação foi confirmada por um funcionário do alto escalão do governo venezuelano que pediu para não ser identificado. Entre os mortos estão soldados e civis.
