Os microplásticos entram nas plantas pelas raízes e pelas folhas e atrapalham a germinação de sementes e provocam estresse oxidativo. Esses contaminantes reduzem as plantações e ameaçam a saúde global, segundo destaca um estudo que reúne o que a comunidade científica sabe até agora sobre a interação entre microplásticos e plantas.

Quando estão no solo, os microplásticos chegam até as plantas por meio das raízes. As partículas na atmosfera também podem ser absorvidas pela planta por meio das folhas.

De acordo com a professora e pesquisadora na área de contaminantes ambientais da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso) Danielle Ribeiro-Brasil, existem muitas lacunas para compreender a contaminação das plantas por microplásticos, em parte porque as pesquisas sobre essas partículas têm se concentrado em ambientes aquáticos – em especial, em regiões marinhas.

Uma dessas lacunas, por exemplo, diz respeito ao mecanismo de transporte dos microplásticos pelos diferentes órgãos das plantas.

“A gente precisa de pesquisadores que estejam com vontade de olhar para o ambiente terrestre, para as frutas, para as plantas. A gente tem o que se chama de cegueira verde. A gente olha a paisagem, se tiver um animal, o destaque é o animal. A gente não olha para as plantas”, reflete Ribeiro-Brasil.

Segundo ela, o trabalho feito por pesquisadores da Universidade de Nankai, na China, e publicado em setembro, ajuda a “olhar o todo”, resumindo que já se sabe sobre a interação entre microplásticos e plantas e onde estão as lacunas.

Danos nas plantas

Partículas minúsculas de plástico podem chegar até a superfície das sementes e atrapalhar a troca de água e oxigênio. Como consequência, há danos para a germinação.

Os efeitos tóxicos variam conforme o tamanho da partícula, a concentração e o tipo do polímero usado para fazer o plástico. No caso das sementes, partículas menores podem adentrar ainda mais e interromper o metabolismo e a divisão celular.

Os microplásticos também podem levar a planta ao estresse oxidativo, quando há um desequilíbrio entre compostos oxidantes (que podem resultar em radicais livres) e o sistema de defesa antioxidante.

“A barreira antioxidante é a primeira barreira de defesa do organismo contra poluentes ambientais, é o que se desequilibra antes de chegar ao desenvolvimento de doenças, por exemplo”, esclarece Ribeiro-Brasil.

A contaminação das partículas de MP costuma vir acompanhada do impacto provocado pelos aditivos químicos, compostos que conferem ao polímero certas propriedades, como cor e maleabilidade. Essas substâncias potencializam os efeitos negativos dos MPs nos seres vivos.

Os ésteres de ácido ftálico (PAEs), por exemplo, são empregados com frequência na fabricação de polímeros para deixá-los mais flexíveis. Há evidências científicas que sinalizam que o aditivo reduz o crescimento de plantas. Além disso, os corantes — um dos grupos químicos mais diverso e rico em metais pesados — causam estresse oxidativo quando em altas concentrações.

Os efeitos da contaminação do microplástico também podem ser potencializados diante de outras substâncias, como metais pesados e antibióticos. Alguns estudos demonstram que partículas pequenas de MPs podem promover a acumulação dessas substâncias nos tecidos de plantas e, assim, aumentar a toxicidade.

Consequências

A exposição aos microplásticos reduz a produção de culturas básicas, como arroz, trigo e milho, entre 110 e 360 milhões de toneladas métricas por ano. Isso está relacionado a uma queda das clorofilas, pigmento verde que tem papel na fotossíntese. A Ásia, a América do Norte e a Europa tendem a ser as áreas mais afetadas.

Os microplásticos presentes nas plantas podem contaminar humanos pela ingestão de alimentos e trazer problemas de saúde. Alguns aditivos químicos, por exemplo, podem influenciar em funções endócrinas, ligando-se a receptores hormonais. Há evidências de que eles podem aumentar, reduzir ou mesmo bloquear a produção de alguns hormônios, prejudicando o funcionamento adequado do organismo.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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