O aumento de casos de infecções durante as festas de fim de ano pode estar diretamente relacionado a maus hábitos no preparo dos alimentos, especialmente no manuseio de carnes cruas e na higiene da cozinha. A combinação entre correria, descuidos e contaminação cruzada cria um ambiente favorável à proliferação de bactérias perigosas.
Segundo o infectologista David Lewi, do Hospital Israelita Albert Einstein, um dos erros mais comuns é lavar carnes cruas, principalmente aves. O procedimento espalha micro-organismos pela pia, utensílios e superfícies, contaminando outros alimentos. “Os utensílios usados na carne crua não devem ser os mesmos utilizados após o preparo. Tudo precisa ser higienizado corretamente e armazenado na temperatura adequada”, alerta o especialista.
O risco vai além da intoxicação alimentar. Um estudo publicado na revista mBio aponta que 18% das infecções urinárias estão relacionadas à bactéria Escherichia coli presente em alimentos contaminados. As aves, especialmente o peru, aparecem como as principais fontes. Mulheres são mais afetadas, tanto pela proximidade anatômica entre o trato urinário e o anal quanto pelo fato de, culturalmente, estarem mais envolvidas no preparo dos alimentos.
Sintomas como diarreia, vômitos, náuseas e dores abdominais não devem ser ignorados. “Infecções gastrointestinais podem exigir internação e, em casos graves, levar à morte”, reforça Lewi.
Para evitar contaminações, a orientação é cozinhar os alimentos a temperaturas acima de 75 °C, usar utensílios diferentes para carnes e vegetais, higienizar bancadas com água sanitária ou desinfetantes e manter pratos frios sempre refrigerados. Apenas detergente e esponja não são suficientes para eliminar bactérias resistentes.
O cuidado deve ser redobrado quando o preparo envolve animais inteiros ou abatidos em casa, já que a retirada das vísceras aumenta o risco de disseminação de micro-organismos. Nesses casos, a limpeza deve ser feita em local separado dos demais alimentos.
Com informações da Agência Einstein.


