Ataque a tiros deixa 12 mortos em praia na Austrália; local sediava celebração judaica

Ao menos 12 pessoas morreram e 29 ficaram feridas após um ataque a tiros na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália, na madrugada deste domingo, 14 (horário de Brasília), segundo o jornal The Sydney Morning Herald.

Entre os 29 feridos, há dois policiais. No momento do ataque, o local sediava celebrações de Hanukkah, evento da comunidade judaica, e estava repleto de famílias.

De acordo com informações da polícia da província de Nova Gales do Sul, um dos mortos seria um homem suspeito de participar do massacre. Outro possível atirador também foi capturado e está em estado crítico, de acordo com as forças policiais.

Ainda segundo o jornal australiano, a polícia já identificou um dos suspeitos de ter participado do massacre: trata-se de Naveed Akram, de 24 anos, um pedreiro do oeste de Sydney que recentemente perdeu o emprego. A polícia não informou se ele é o suspeito morto.

Horas após o ataque, a polícia prendeu no bairro de Bonnyrigg, nos subúrbios de Sydney, um casal suspeito de envolvimento no crime.

O diretor-executivo da Associação Judaica Australiana, Robert Gregory, afirmou que membros da comunidade judaica foram alvos do ataque.

Segundo informações do The New York Times, um rabino da organização judaica Chabad de Bondi identificado como Eli Schlanger foi morto no tiroteio, conforme informou Motti Seligson, diretor de mídia da Chabad.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, classificou o episódio como “terrorismo” e “antissemitismo perverso”. Em coletiva de imprensa, o político afirmou que o massacre na praia de Bondi é “um ato de antissemitismo perverso, de terrorismo, que atingiu o coração da nossa nação”.

Ele disse ainda que “um ataque contra judeus australianos é um ataque contra todos os australianos” e que “não há lugar para esse ódio, violência e terrorismo em nossa nação”. Albanese afirmou que esse movimento violento será erradicado.

Em sua conta na rede social X (ex-Twitter), mais cedo, Albanese havia dito que as cenas na praia de Bondi são “chocantes e angustiantes” e que a polícia e os serviços de emergência da região trabalhavam para “salvar vidas”.

Homem desarma suposto atirador em praia na Austrália

Vídeo compartilhado nas redes sociais mostra um dos atiradores, vestindo uma camiseta preta, em um estacionamento na avenida principal da Praia de Bondi. Crédito: redes sociais

Como foi o ataque

A polícia local diz que os serviços de emergência foram acionados para a via Campbell Parade por volta das 18h45 de domingo no horário australiano (4h45 da madrugada no horário de Brasília) após relatos de disparos de arma de fogo.

A praia de Bondi é uma das badaladas de Sydney, muito procurada por surfistas. A Campbell Parade, de onde a polícia foi acionada, é a rua principal à beira-mar e tem um calçadão com cafés, restaurantes, hotéis e outros comércios com vista para o mar.

Vídeos que circulam na internet mostram dois homens de preto, que seriam os atiradores, alvejando a multidão protegidos por um muro. Outras imagens mostram uma multidão fugindo da praia ao ouvirem os disparos.

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De acordo com as forças policiais, “vários itens suspeitos encontrados nas proximidades estão sendo examinados por agentes especializados, e uma zona de exclusão está em vigor”.

Vários dispositivos explosivos improvisados foram encontrados em um carro na Campbell Parade, segundo o comissário de polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon.

“Nossa unidade de desativação de bombas está lá. Eles tomarão as medidas apropriadas”, disse ele à imprensa australiana. De acordo com o representante das forças policiais da província, o carro estava “ligado ao suspeito morto”.

A polícia diz que não há relatos de incidentes semelhantes em Sydney, mas o ataque fez as celebrações de Hannukah serem canceladas em Melbourne, outra grande cidade australiana.

Escalada de ataques antissemitas

O tiroteio em massa ocorreu num momento em que a comunidade judaica da Austrália já estava em alerta, após enfrentar uma série de ataques antissemitas preocupantes.

Em agosto, a Austrália acusou o Irã de orientar ataques incendiários contra um comércio judeu e uma sinagoga. O país rompeu relações diplomáticas com o Irã e expulsou diplomatas iranianos do território australiano.

E, nos últimos 12 meses, sinagogas em Sydney e Melbourne foram alvo de tentativas de incêndio criminoso e pichações. Outras instituições judaicas, incluindo uma creche e um restaurante israelense, também foram atacadas.

“Nossos números de incidentes antissemitas estão fora de escala, em um nível que nunca vimos nos mais de 30 anos em que monitoramos e coletamos dados”, disse Daniel Aghion, presidente do Conselho Executivo do Judaísmo Australiano, à Sky News.

A Austrália abriga a maior proporção de sobreviventes do Holocausto fora de Israel. No fim do ano passado, a polícia australiana formou uma força-tarefa federal para investigar violência e ameaças antissemitas.

Algumas organizações judaicas dizem que os episódios se intensificaram após os ataques liderados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 e a guerra subsequente em Gaza, que também impulsionaram episódios de islamofobia na Austrália.

Presidente do Senado manifestação indignação com atentado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), divulgou nota manifestação “profunda tristeza e indignação” pelos ataques na Austrália.

“Trata-se de um ato cruel, movido pelo ódio e pelo antissemitismo, que atinge não apenas a comunidade judaica da Austrália, mas fere valores fundamentais como a vida, a liberdade religiosa e a convivência pacífica”, diz a nota do senador.

Judeu, Alcolumbre afirmou que atos terroristas são inaceitáveis. “O terrorismo, motivado pelo antissemitismo ou por qualquer outra forma de ódio, é inaceitável. O Congresso Nacional se une às manifestações internacionais de repúdio e reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos humanos e da liberdade religiosa”, diz a nota./COM INFORMAÇÕES DO THE NEW YORK TIMES

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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