O número de vítimas mortais do incêndio que devastou um complexo residencial em Hong Kong na semana passada subiu para 146, um balanço que as autoridades temem ainda poder piorar. A informação foi avançada este domingo pela polícia, num momento em que a cidade cumpre o segundo de três dias de luto oficial.
“O número de mortos aumentou para 146 às 16h00 (08h00 em Lisboa). Não podemos excluir a possibilidade de haver mais vítimas mortais”, declarou aos jornalistas o representante policial Tsang Shuk-yin.
Investigação aponta falhas graves na segurança
O incêndio eclodiu na quarta-feira, cerca das 15h00 locais (07h00 em Lisboa), no bloco Wang Cheong House, pertencente ao complexo residencial Wang Fuk Court, na zona de Tai Po, no norte da cidade. As chamas acabaram por atingir sete dos oito edifícios.
De acordo com as investigações preliminares, o fogo terá começado na rede de proteção dos andaimes nos pisos inferiores, espalhando-se de forma extremamente rápida na vertical. Entre os materiais que contribuíram para a tragédia estão placas de poliestireno expandido, altamente inflamáveis, usadas para vedar aberturas junto aos elevadores, e lonas exteriores que violavam as normas de segurança e que facilitaram a entrada das chamas nos apartamentos.
População mobilizada e milhões angariados
Desde a noite do desastre, milhares de cidadãos, vizinhos, igrejas, sindicatos e grupos de voluntários mobilizaram-se para prestar ajuda, angariando milhões de dólares de Hong Kong e distribuindo água, alimentos, roupas e abrigos temporários.
O Governo local anunciou um fundo inicial de 300 milhões de dólares de Hong Kong (33,4 milhões de euros) para apoiar vítimas e desalojados. O montante já ascendeu a 800 milhões de dólares de Hong Kong (88,6 milhões de euros), graças a contribuições adicionais.
Autoridades lançam ação de inspeção a edifícios
O Executivo revelou ainda uma campanha de “inspeção e retificação” destinada a identificar riscos de incêndio em edifícios altos. Segundo noticiou no sábado o canal estatal CCTV, a operação irá incidir sobre obras de renovação — exteriores e interiores — em edifícios habitados, bem como na utilização de materiais inflamáveis e no uso de andaimes de bambu, prática comum em Hong Kong mas cada vez mais criticada por especialistas em segurança.
