Após 160 dias do primeiro deslizamento no aterro sanitário Ouro Verde, em Padre Bernardo (GO), o lixão sofreu um novo desmoronamento, agora o terceiro em menos de 15 dias. Dessa vez, os resíduos tumularam sobre o córrego de Santa Bárbara, prejudicando ainda mais os moradores da região.
Cerca de 20 mil moradores de Monte Alto, onde o lixão está localizado, estão preocupados com a contaminação da água. O uso dela já estava suspenso desde 19 de junho, data do primeiro deslizamento. Agora, a água do córrego se tornou imprópria não apenas para consumo próprio, mas também para atividades como cultivo e alimentação de gado.
Um vídeo compartilhado por residentes mostra a cor da água após o último desabamento em 25 de novembro. O líquido, com aparência de lama, trouxe ainda mais lixo para as propriedades vizinhas.
Sensação de abandono
Uma moradora, que preferiu se manter anônima, expressou o descontentamento com a situação: “É uma tragédia anunciada. Sentimos que estamos abandonados pelos órgãos públicos”, afirmou, ressaltando que a situação já era esperada desde o primeiro deslizamento.
Joana Santana, 75 anos, também relatou problemas em sua casa devido ao forte odor do lixo: “A situação piora a cada dia e afeta minha saúde. Estou tomando vários medicamentos por causa do mau cheiro”, desabafou.
Volume de lixo é alarmante
De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad-GO), o volume do deslizamento atual é maior que 3 mil toneladas, que já havia sido registrado no segundo deslizamento em 12 de novembro. O lixo bloqueia parcialmente o leito do córrego de Santa Bárbara.
A empresa Ouro Verde, responsável pelo aterro, atribuiu o deslizamento às chuvas dos dias 24 e 25. No entanto, moradores contestaram a versão e mostraram fotos do córrego atingido, repleto de lixo doméstico e até seringas.
A Ouro Verde afirmou que o monitoramento da qualidade da água continua, mas não forneceu informações concretas sobre a situação atual. Embora não haja ligação entre o córrego e o Rio Descoberto, que abastece parte do Distrito Federal, a contaminação ainda levanta preocupações, especialmente pela proximidade com a usina hidrelétrica Serra da Mesa.
O que será feito?
Durante o primeiro deslizamento, a secretária Andrêia Vulcanis destacou que a contaminação aumentava a cada dia. Agora, um novo auto de infração está em elaboração, e a empresa já iniciou as operações de remoção dos resíduos, que serão realocados para uma área previamente construída.
A Ouro Verde também se comprometeu a implementar ações para estabilizar o local. Entre as medidas estão a instalação de tubulações para aliviar a pressão interna e obras de estabilização dos taludes.
Ministério Público acompanha o caso
O Ministério Público de Goiás está ciente da situação e aguarda um relatório técnico da Semad-GO para avaliar a extensão dos impactos. O MP ressaltou que todas as ações cabíveis estão sendo realizadas e que novas medidas poderão ser adotadas após a análise dos relatórios.
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