Presente na mesa da maioria dos brasileiros, o arroz é um dos alimentos mais consumidos no país e parte essencial da alimentação diária. Mas, por trás de sua popularidade, estudos recentes têm levantado preocupações sobre a presença de substâncias potencialmente perigosas, o que colocou o produto sob atenção especial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Com as mudanças no clima e no meio ambiente, pesquisadores identificaram alterações químicas que podem aumentar a contaminação natural do grão. Essa situação levou a agência reguladora a intensificar o monitoramento e reforçar as medidas de segurança para garantir que o alimento continue seguro para consumo em todo o território nacional.

Por que o arroz pode conter substâncias tóxicas

Pesquisas internacionais vêm chamando atenção para a presença de arsênio, um elemento natural do solo e da água que pode ser absorvido pelas plantas, especialmente pelo arroz. Essa característica ocorre porque o cultivo do grão é feito, na maior parte das vezes, em áreas alagadas, o que reduz o oxigênio e estimula a ação de bactérias que liberam o arsênio em formas mais fáceis de serem absorvidas.

O problema se agrava com o aquecimento global e o aumento dos níveis de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, que intensificam as reações químicas no solo. Segundo pesquisadores, essas mudanças podem elevar a quantidade de arsênio nos grãos e, em longo prazo, causar sérios danos à saúde humana.

Um estudo realizado ao longo de dez anos na China, com 28 tipos de arroz, apontou que temperaturas mais altas e maior concentração de CO₂ podem aumentar consideravelmente o acúmulo dessa substância. Mantido esse ritmo até 2050, o país pode registrar quase 20 milhões de novos casos de câncer relacionados ao consumo de arroz contaminado.

Os riscos do arsênio inorgânico, a forma mais tóxica do elemento, incluem:

• Aumento das chances de câncer de pele, pulmão e bexiga
• Problemas cardíacos e maior propensão ao diabetes
• Danos ao desenvolvimento fetal em gestantes
• Efeitos cumulativos no organismo, mesmo em pequenas quantidades

No entanto, especialistas ressaltam que o risco é maior em locais onde o consumo diário é elevado e a fiscalização é precária. No Brasil, a situação é considerada controlada, graças aos limites impostos pela Anvisa e aos monitoramentos constantes realizados em diferentes regiões produtoras.

O que a Anvisa faz e como reduzir o arsênio no consumo

A Anvisa determina valores máximos de arsênio no arroz para manter a segurança alimentar da população. Atualmente, o limite permitido é de 0,20 mg/kg para o arroz branco e 0,35 mg/kg para o arroz integral. Esses padrões seguem recomendações internacionais e são acompanhados por análises frequentes em amostras de todo o país.

Pesquisas realizadas pela Universidade Federal do ABC e pela própria Anvisa mostram que o arroz brasileiro costuma apresentar índices bem abaixo do limite de segurança. Mesmo assim, o órgão mantém a vigilância constante, uma vez que o avanço das mudanças climáticas pode alterar o equilíbrio químico do solo e afetar a absorção do arsênio pelas plantações.

Além das ações oficiais, cientistas e produtores têm estudado alternativas para reduzir o problema na origem, como:

• Selecionar variedades de arroz que acumulem menos arsênio;
• Investir em fertilizantes e aditivos que diminuam a absorção do contaminante;
• Cultivar o arroz em áreas naturalmente pobres em arsênio;
• Reforçar a fiscalização e as normas de controle ambiental.

Também é possível adotar cuidados simples em casa para diminuir a exposição ao arsênio. Lavar o arroz antes de cozinhar e utilizar mais água durante o preparo, descartando o excesso, são práticas que ajudam a eliminar parte das impurezas e tornam o consumo mais seguro.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *