Com inundações severas, moradores buscaram refúgio nos telhados após passagem do ciclone Ditwah no Sri Lanka – (Foto: AFP)
O Sri Lanka vive um dos momentos mais dramáticos de sua história recente. A passagem do ciclone Ditwah, na sexta-feira (28), causou destruição em larga escala, deixou ao menos 120 mortos e cerca de 130 pessoas desaparecidas. O impacto da tempestade, que atingiu com força a região central do país, provocou enchentes severas, deslizamentos e um colapso generalizado nos sistemas de transporte, comunicação e energia.
Boa parte do território ficou submersa, e quase 400 mil pessoas foram diretamente afetadas pelas inundações. Dessas, mais de 45 mil tiveram de abandonar suas casas e buscar abrigo emergencial em centros improvisados. Em vários pontos, moradores se refugiaram nos telhados das residências para escapar da força das águas.
A situação é crítica especialmente na região central da ilha, a cerca de 160 quilômetros ao norte da capital, Colombo. No distrito de Badulla, um dos mais atingidos, as autoridades já confirmaram pelo menos 50 mortos e 41 desaparecidos. No leste, estudantes universitários ficaram isolados em alojamentos sem acesso a alimentos ou água potável, enquanto as águas avançavam em direção ao campus.
As operações de resgate enfrentam obstáculos logísticos severos. Com ferrovias paralisadas, rodovias bloqueadas e falhas generalizadas nas redes de comunicação, os serviços de emergência lutam para alcançar as áreas mais isoladas. Além disso, um quarto da população do país está sem fornecimento de energia elétrica.
O desastre climático atinge o país em um momento de fragilidade institucional. O Sri Lanka ainda tenta se recuperar das consequências de uma longa guerra civil e enfrenta dificuldades econômicas que limitaram a capacidade de resposta das autoridades locais.
Diante do colapso, a comunidade internacional começou a mobilizar apoio. A Índia enviou 27 toneladas de suprimentos por ar e mar, incluindo barracas, cobertores e kits de higiene, além de uma equipe de 80 socorristas. Os Estados Unidos, por meio de sua embaixada em Colombo, anunciaram a liberação de US$ 2 milhões para ações imediatas de ajuda humanitária.
Com a previsão de mais chuvas nos próximos dias, o governo cingalês trabalha para evitar novos desastres e reforçar a segurança das regiões afetadas. O esforço de reconstrução deve ser longo e complexo, diante da extensão dos danos e da vulnerabilidade estrutural agravada pelos últimos anos de instabilidade.



