O Tribunal Superior do Trabalho (TST) confirmou que a Vale e o Consórcio Price Lista deverão indenizar em R$ 50 mil um operador de escavadeira que trabalhou nas operações de limpeza após o rompimento da barragem em Brumadinho, em Minas Gerais.
O homem teria desenvolvido sequelas psicológicas graves em razão do contato direto com cenas traumáticas.
Segundo informações do UOL, contratado cerca de duas semanas após o colapso, o trabalhador foi designado para ajudar na remoção da lama tóxica e dos destroços deixados pela tragédia.
Segundo os autos, a rotina de resgate e limpeza expôs os funcionários a imagens brutais, que deixaram marcas emocionais profundas.
A decisão do TST manteve o entendimento de instâncias anteriores de que as empresas tinham responsabilidade pelo impacto psicológico sofrido pelos empregados.
Para o tribunal, o caso ultrapassa os limites do trabalho comum, por envolver uma situação de desastre humano e ambiental sem precedentes.
O trabalhador relatou no processo ter sido submetido a jornadas exaustivas e a condições emocionalmente insustentáveis.
Durante as escavações, ele presenciou cenas de destruição e contato com restos de vítimas, o que provocou sintomas compatíveis com transtorno de estresse pós-traumático.
Tragédia e consequências duradouras
O rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em 25 de janeiro de 2019, foi um dos maiores desastres socioambientais da história do Brasil. Cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram lançados sobre a região, destruindo o refeitório da empresa, a área administrativa e comunidades vizinhas.
Ao todo, 272 pessoas morreram, incluindo funcionários da mineradora e moradores locais. As buscas pelos corpos se estenderam por anos, e os impactos ambientais seguem sendo avaliados até hoje.
Até 2024, três pessoas ainda eram dadas como desaparecidas. Além disso, um cenário de impunidade marca o episódio.
Segundo a reportagem, a Vale afirmou que não comentará a decisão. A empresa ainda responde a dezenas de ações judiciais relacionadas à tragédia, cujas consequências continuam marcando o país seis anos depois.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli
