O setor de Vigilância Epidemiológica da Diretoria de Vigilâncias em Saúde (DVS) confirmou dois casos de leishmaniose visceral canina em Cachoeira do Sul, em processo que analisa cinco casos suspeitos junto ao Laboratório Central do Estado (Lacen). Os casos de contaminação em animais foram notificados a partir de junho, em pontos localizados na zona rural (localidade de Cerro dos Peixotos) e urbana do município, junto aos bairros Noêmia, Rio Branco e Ponche Verde. A comprovação laboratorial estimulou a divulgação de um alerta por parte da Vigilância Epidemiológica, a fim de que a população tome conhecimento dos sinais e sintomas da doença e para que procure os serviços de saúde em casos suspeitos.
No âmbito da Vigilância Ambiental, a Secretaria Municipal da Saúde afirma que as medidas de contenção da doença em animais já estão sendo tomadas, envolvendo ações educativas junto às equipes da rede municipal de saúde e alerta direcionado à categoria médica-veterinária, que deve notificar oficialmente ao DVS as suspeitas de laishmaniose para abertura das respectivas investigações laboratoriais. Paralelamente, ainda estão sendo realizadas investigações eco-epidemiológicas motivadas pelas notificações, com busca ativa caso a caso e investigação de focos (incluída testagem amostral de cães contactantes ou que habitem a vizinhança de localidades com casos confirmados, com insumos (testes rápidos). O trabalho da equipe municipal está sendo acompanhado e orientado também pelas equipes de Vigilância Ambiental e Vigilância Epidemiológica da 8ª Coordenadoria Regional de Saúde – 8ª CRS.
CONTAMINAÇÃO EM HUMANOS
As leishmanioses são doenças infecciosas, não contagiosas, causadas por protozoários do gênero Leishmania, pertencente à família Trypanosomatidae. Trata-se de uma zoonose – transmissão entre humanos e animais – antiga e compõe a lista das doenças de interesse em saúde ainda negligenciadas. O modo de transmissão habitual ocorre por meio da picada de vetores infectados, flebotomíneos (Lutzomiya), conhecidos como mosquito palha. Fêmeas infectadas picam animais infectados e depois o ser humano, transmitindo o protozoário causador da Leishmaniose. Não ocorre transmissão de pessoa a pessoa. A leishmaniose visceral é uma doença crônica, sistêmica, pois, acomete vários órgãos internos, principalmente o fígado, o baço e a medula óssea. Este tipo de leishmaniose acomete principalmente crianças de até dez anos.
Segundo a Diretora da DVS, Andréa Santos, é uma doença de evolução longa, podendo durar alguns meses ou até ultrapassar o período de um ano e que torna-se um risco maior com a circulação do vetor em ambientes que apresentem inadequadas condições de saneamento. A orientação é de que pessoas que apresentarem algum sintoma suspeito (febre de longa duração, aumento do baço, aumento do fígado, perda de peso, fraqueza, redução da força muscular, anemia, entre outras manifestações) procurem a unidade de saúde de referência. A leishmaniose visceral, apesar de grave, tem tratamento gratuito para humanos, disponível na rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Confira a íntegra do alerta da DVS em anexo.
COMO EVITAR A DOENÇA
– Proteção individual (uso de mosquiteiros, repelentes, roupas longas em locais de exposição ao vetor);
– Manejo e saneamento ambiental – limpeza, eliminação de resíduos sólidos orgânicos, conter/evitar fontes de umidade;
– Manter sempre limpas as áreas próximas às residências e os abrigos de animais domésticos;
– Realizar podas periódicas nas árvores para que não se criem os ambientes sombreados;
– Não acumular resíduos orgânicos, objetivando evitar a presença mamíferos comensais próximos às residências, como marsupiais e roedores, que são prováveis fontes de infecção para os flebotomíneos;
– Uso de coleiras impregnadas com inseticida em cães (uso geral preventivo e obrigatório em cães infectados), com princípios ativos como deltametrina que ofereçam proteção contra o vetor (conforme recomendações dos fabricantes);
– Manter a regularidade de avaliações da saúde humana e animal e procurar os respectivos serviços de saúde diante de suspeita de leishmaniose.