Empresários de setores da economia brasileira afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos avaliam com pessimismo e criticam a decisão do governo federal de iniciar processo que poderá levar à retaliação às taxas de 50% impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Eduardo Lobo conversou com a CNN e lamentou iniciativas que “escalem as divergências”. “Todos os dias estamos perdendo clientes, e o maior mercado do mundo para os pescados está ficando mais longe”, disse.
Um representante do segmento de café, que preferiu falar sob reserva, classificou o movimento como “um desastre e muito preocupante para todos os setores”. Para o empresário, a decisão impõe novos obstáculos ao diálogo e leva a temores de que a tarifa dos EUA ao Brasil aumente.
Um executivo do setor têxtil pregou cautela quanto à ofensiva do governo, que ainda está em estágio inicial: não se sabe se o Brasil irá de fato retaliar. O empresário, contudo, disse que o segmento segue defendendo “negociar à exaustão” e disse não ver possibilidade de vantagem na “política olho por olho”.
Este mesmo executivo pontuou que a ofensiva do governo acontece às vésperas de viagem de empresários brasileiros a Washington, capital dos Estados Unidos, visando enfatizar a via negocial — elemento que também aparece em posicionamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
A CNI defende em seu posicionamento “a persistência no uso de instrumentos de negociação como forma de reverter os efeitos nocivos do tarifaço”. “O setor industrial continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência, e avalia que não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica”, aponta.
A Camex (Câmara de Comércio Exterior) foi acionada pelo Ministério das Relações Exteriores para iniciar as consultas e investigações necessárias à aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, na noite de quinta-feira (28), após o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A Camex terá até 30 dias para produzir um relatório técnico analisando se as medidas americanas de sobretaxar em 50% produtos brasileiros se enquadram na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada no Congresso e sancionada por Lula neste ano.
Caso a Câmara de Comércio Exterior conclua haver possibilidade de aplicação da legislação, será instalado um grupo específico para sugerir contramedidas econômicas, que podem incluir retaliações no comércio de bens, serviços e propriedade intelectual.