Substância, usada para limpar máquinas, foi injetada em Bruno Rodrigues Ventura; ele está internado em estado gravíssimo.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A Polícia Civil investiga uma clínica de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, suspeita de ter aplicado por engano uma substância usada para limpeza de máquinas em um paciente durante sessão de hemodiálise. A vítima, Bruno Rodrigues Ventura dos Santos, de 29 anos, está internada em estado gravíssimo.

Paciente sofre contaminação com ácido em clínica de São Gonçalo | Bruno Rodrigues Ventura, de 29 anos, está internado em estado gravíssimo
Bruno Rodrigues Ventura, de 29 anos, está internado em estado gravíssimo

Bruno, que trabalha como entregador e tem doença renal crônica, fazia o tratamento na clínica particular Nice Diálise, conveniada ao SUS, no bairro São Miguel. Na quarta-feira, ele chegou para mais uma sessão acompanhado dos pais.

Segundo a família, por volta das 7h houve correria na unidade, mas os acompanhantes não foram informados do que ocorria.

– A minha mãe disse que às 7h começou a perceber uma correria na clínica, e ele havia entrado para o tratamento às 6h30. Ela não imaginava que fosse com o meu irmão, até porque lá tem muitos idosos que às vezes passam mal. Então, mandou mensagem para meu irmão, perguntando se estava tudo bem, mas ele não respondeu. Foi quando começou a perceber que poderia ser com ele – conta a irmã da vítima, Vitória Rodrigues, ao portal Agenda do Poder.

Quando chegou do lado de fora da clínica, a mãe de Bruno viu ele estava sendo levado, em uma máquina, para uma ambulância do Corpo de Bombeiros.

– Em nenhum momento ninguém da clínica foi avisar os meus pais sobre o que estava acontecendo. Minha mãe só descobriu que era meu irmão porque foi lá fora e viu ele em cima da maca, todo inchado, sangrando, e ela sem entender o que aconteceu – desabafa.

Contaminação com ácido

Mais tarde, o diretor técnico da clínica revelou que Bruno havia sido contaminado com ácido peracético – substância usada na esterilização de equipamentos hospitalares. O resíduo estava na máquina que deveria filtrar o sangue do paciente.

O entregador foi levado para o Pronto Socorro Central Dr. Armando Gomes de Sá Couto, no bairro Zé Garoto, onde permanece entubado e em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva. A família é de Maricá e tem se revezado nas visitas.

– Ele está com danos cerebrais, a gente ainda não consegue dizer o que vai acontecer daqui pra frente. Não foi um erro de medicação, foi um erro! Como um produto de limpeza, um químico de limpeza, entra no corpo de um paciente de diálise? – questiona Vitória.

Investigações

O médico da clínica relatou à família que Bruno deveria estar sob cuidados de uma enfermeira fixa, mas naquele dia outra profissional assumiu o procedimento. Ela que teria ligado o paciente à máquina.

O caso está sendo investigado como lesão corporal pela 72ª DP (Mutuá), que ouve testemunhas e tenta esclarecer os fatos.

Fiscalização

A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo (Semsadc) informou que o estabelecimento é credenciada para atendimentos de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e havia convênio com a cidade até o fim de abril deste ano.

“A fiscalização dos serviços prestados cabe à Vigilância Sanitária Estadual, que foi notificada sobre o ocorrido pela Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo e deverá tomar as devidas providências”, diz a nota.

Já a Secretaria de Estado de Saúde, por meio da Superintendência de Vigilância Sanitária, informou que iniciou o processo de investigação sobre o caso. Equipes estiveram no local e constataram que as licenças sanitárias para o funcionamento da unidade estão em dia.

“A análise do caso está sendo realizada de forma minuciosa para que os fatos sejam esclarecidos e as medidas cabíveis sejam adotadas rapidamente”, acrescentou.

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) disse que abriu sindicância para apurar os fatos.  O diretor técnico do estabelecimento está com o registro médico ativo.

O Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren)  está acompanhando o caso de perto e informou que tomou as medidas cabíveis dentro de sua competência, apurando se houve falha na assistência de enfermagem ou em processos relacionados à prática profissional.

“Caso seja constatada qualquer infração ética, as responsabilidades serão apuradas com a devida seriedade”, afirmou.

A reportagem tenta contato com a clínica, o espaço segue aberto para eventuais manifestações.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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