Caso aprovada e habilitada em leilão, a planta piloto em Suape deve ser instalada em janeiro de 2027 (Foto: Divulgação)

A Suape Energia, responsável pela operação da Suape II, usina de geração de energia, localizada no Cabo de Santo Agostinho, deu início a implantação do Projeto Etanol. A iniciativa, inédita no mundo, em parceria com a finlandesa Wärtsilä, tem como objetivo testar o etanol como combustível para a geração térmica de eletricidade em larga escala.

Caso aprovada e habilitada em leilão, a planta piloto em Suape deve ser instalada em janeiro de 2027. Usando o etanol como combustível 100% renovável e, sempre que possível, produzido localmente, inicialmente, a usina deve ter até 600 MW de potência instalada, capacidade suficiente para abastecer cerca de dois milhões de residências.

O diretor de Tecnologia da Suape Energia, José Faustino Cândido destaca o quanto essa geração de energia limpa também será benéfica para o meio ambiente. “Com uma planta dessa, por cada 100 MW, é possível deixar de jogar na atmosfera 60 toneladas de CO2, um dos principais gases de efeito estufa. Ou seja, com a instalação de uma usina de 600 MW, é possível economizar 3.600 toneladas de CO2 por hora ”, afirma. Faustino explica ainda que, durante a fase de implantação da planta, a Suape Energia também pretende empregar dois mil profissionais para atuar na usina.

Faustino aponta ainda que a geração de energia por meio do etanol pode ainda chegar mais barata para o consumidor final, já que a energia gerada por meio do óleo combustível ou óleo diesel é mais cara. Segundo ele, o projeto pioneiro, também pode, futuramente, se expandir para outros locais do país. “Imaginamos que depois desse teste consolidado e a gente ganhar este leilão com essa planta de 600 MW, nós vamos atrair mais investidores para usar o etanol e também mais recursos para o Brasil”, reforça o diretor.

A planta abastecerá o Sistema Interligado Nacional (SIN), que conecta todas as regiões do país. Nela, a energia gerada com etanol entra na rede, com outras fontes como hidrelétricas, eólicas e solares e ajudará todo o sistema na redução da necessidade de ligar usinas mais poluentes, dando mais segurança ao abastecimento de energia para todo o Brasil em caso de escassez.

Fase de testes

A empresa, em parceria com Wartsila, já está trabalhando na organização da infraestrutura para receber o motor Wärtsilä W32M, que deverá chegar à usina pelo Porto de Suape em meados de setembro de 2025, com início dos testes previsto para fevereiro de 2026.

“A Suape II tem toda a infraestrutura para receber essa máquina, tanto espaço físico, quanto espaço na rede elétrica. Nós vamos fazer todos os procedimentos em conjunto com a Wärtsilä. Vamos ficar rodando aqui essa máquina, testando combustível, equipamentos, peças e principalmente, quanto tempo essa máquina pode aguentar rodando com esse combustível, além da performance desse combustível para a geração de energia”, explica o diretor de Tecnologia da Suape Energia, José Faustino Cândido.

Como o Brasil é um grande produtor de etanol, de acordo com a Suape Energia, a ideia é utilizar, sempre que possível, a cadeia de etanol produzido em Pernambuco e também do Nordeste. Além da produção consolidada de etanol pela cana-de-açúcar, especialmente na Zona da Mata, o estado também possui infraestrutura de transporte e armazenamento próxima ao complexo industrial e portuário de Suape.

Próximos passos

Com a aprovação dos testes, que devem ser realizados em um período de 4.000 horas e finalizado em 2026, a usina poderá entrar em operação regular para fornecer energia ao sistema nacional. Isso significa que a tecnologia também poderá ser implantada em outras regiões do Brasil, ampliando o uso do etanol como matriz energética.

Com isso, a operação da planta deve ser iniciada em janeiro de 2027, após habilitação no leilão de capacidade, que pode acontecer ainda em novembro de deste ano.

 

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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