Para levar os quatro astronautas da missão Artemis II até a Lua e de volta à Terra, a NASA desenvolveu um novo sistema de transporte espacial de alta capacidade. O sistema é composto pelo foguete SLS (Space Launch System, ou Sistema de Lançamento Espacial) e pela cápsula Orion. Juntos, eles representam o que há de mais avançado para exploração do espaço profundo, superando em vários sentidos as capacidades dos antigos veículos utilizados nas missões do programa Apollo.

+ Conheça os quatro astronautas a bordo da missão Artemis II, com decolagem prevista para o dia 1º de abril

O lançamento da Artemis II deve acontecer nesta quarta-feira (1/4), às 19h24, no horário de Brasília. O SLS vai decolar do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a histórica base de onde partiram as primeiras missões tripuladas a orbitar e pousar na Lua na década de 1960.

O evento será transmitido ao vivo pela plataforma de streaming NASA+ e pelo canal oficial da agência no YouTube .

Escapando da Terra

O SLS é um veículo de lançamento descartável de carga superpesada. Sua criação teve como objetivo reaproveitar partes da tecnologia do antigo programa dos Ônibus Espaciais, combinando-as com novos sistemas para baratear custos de desenvolvimento e focar na potência bruta necessária para escapar da gravidade da Terra em direção à Lua. O foguete é dividido em três partes principais:

  • Estágio central: é um tanque gigante de mais de 60 metros de altura que armazena hidrogênio e oxigênio líquidos em temperaturas baixíssimas — que servem, respectivamente, como combustível e comburente para o foguete, sendo este último necessário por não haver oxigênio no espaço para realizar a queima. Na base do tanque, ficam quatro motores RS-25 que utilizam o hidrogênio e o oxigênio como propulsores.
  • Propulsores de combustível sólido: são dois “foguetes auxiliares” finos presos nas laterais do estágio central. Eles queimam um combustível com consistência de borracha e fornecem 75% da força inicial para tirar o SLS do chão.
  • Estágio de propulsão criogênica interino (ICPS): é a parte superior do foguete. Após o esgotamento do estágio central, este motor menor é acionado no vácuo para dar o empurrão final em direção à Lua.

Sobrevivendo no vácuo

A cápsula Orion, da Artemis II — Foto: Divulgação / NASA

A cápsula Orion é o veículo onde os quatro astronautas vão passar os 10 dias de missão. Diferentemente de uma estação espacial, ela foi projetada especificamente para transporte e suporte de vida em curtos períodos no espaço profundo. A Orion é dividida em dois blocos principais:

  • Módulo de tripulação: a cabine em formato de cone onde ficam os astronautas. É a única parte da nave que possui um escudo térmico e que retorna intacta para a Terra. Ela conta com um cockpit digital, onde os controles mecânicos pesados foram substituídos por telas digitais sensíveis ao toque e computadores de bordo avançados.
  • Módulo de serviço europeu (ESM): Fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA), este cilindro fica acoplado abaixo da cabine. Ele contém os painéis solares para gerar energia, os tanques de água e oxigênio para a tripulação e o motor principal para manobras no espaço. Ele é descartado antes da reentrada na atmosfera.

Artemis vs. Apollo

São muitas as diferenças tecnológicas entre o conjunto utilizado pela Artemis II e os veículos usados pelo programa espacial americano em suas primeiras visitas à Lua — incluindo a Apollo 8, que orbitou o satélite com uma missão tripulada pela primeira vez em 1968, e a Apollo 17, a última a visitar o astro, em 1972.

O SLS é 15% mais potente do que o Saturno V, foguete responsável por levar os módulos da Apollo para além da órbita terrestre. A composição do seu combustível também mudou, visto que o Saturno V utilizava querosene refinado combinado ao oxigênio líquido.

A Orion também recebeu vários upgrades quando comparada com os módulos Apollo. As cápsulas utilizadas nas missões de 50 anos atrás comportavam apenas 3 integrantes, e contavam com um espaço interno de 6 metros cúbicos; já a Orion conta com 9 metros cúbicos, possibilitando a presença de um tripulante a mais. Ela também utiliza quatro “asas” de painéis solares que captam energia solar de forma contínua e ilimitada, enquanto a Apollo usava células de combustível para gerar eletricidade e água.

A diferença no poder computacional utilizado nas duas missões é a mais expressiva. O computador de orientação da Apollo operava com apenas 4 KB de memória RAM; a Orion utiliza um sistema de gerenciamento com centenas de megabytes de memória de trabalho — uma capacidade de processamento mais de cem mil vezes superior. Por mais que pareça pouco quando comparada à memória dos celulares e computadores atuais, que já contam com 12 ou mais gigabytes de memória RAM, a quantidade é suficiente para realizar os cálculos necessários ao funcionamento da nave.

*Com supervisão de Marisa Adán Gil

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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